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ITU na pediatria: diagnóstico e tratamento pela SBP

Atualizações de ITU na Pediatria 2023

Saiba as últimas atualizações sobre ITU na Pediatria divulgadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Resumo rápido: a ITU na pediatria pela SBP

  • A ITU é a principal causa de febre sem sinais localizatórios em recém-nascidos e lactentes.
  • A urocultura é o padrão-ouro e deve ser sempre solicitada diante de suspeita.
  • O tratamento empírico cobre a E. coli, principal agente; a via oral é preferencial em maiores de 3 meses que toleram.
  • A investigação por imagem (USG, DMSA, uretrocistografia) busca malformações e cicatriz renal.

Definição: o que é a ITU?

De acordo com a SBP, a Infecção do Trato Urinário (ITU), define-se como um processo inflamatório sintomático gerado por um germe patogênico único no sistema urinário. Ainda de acordo com a Sociedade, trata-se da segunda infecção mais prevalente em crianças de até sete anos. Além disso, a ITU tem alto risco de recorrência dentro do primeiro ano após a primeira infecção. Inclusive, acomete de forma igualitária bebês e crianças de ambos os sexos.

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Fatores de risco da Itu em pacientes pediátricos

Fatores de risco ITU na pediatria 2023

Manifestação Clínica da ITU em pacientes pediátricos

Segundo as atualizações sobre ITU na Pediatria, levar em consideração a idade e intensidade dos sintomas é necessário ao analisar o quadro clínico. Isso porque a ITU pode se apresentar com quadros leves até quadros graves com bacteremia. Além disso, lembrar que a ITU é a principal causa de Febre Sem Sinais Localizatórios (FSSL) em recém-nascidos e lactentes é importante.

atualizações sobre itu na pediatria Manifestação Clínica Ao pensarmos no quadro clínico precisamos levar em consideração a idade e intensidade dos sintomas, visto que a ITU pode se apresentar com quadros leves até qaudros graves cm bacteremia. Além disso, precisamos lembrar que a ITU é a principal causa de **Febre Sem Sinais Localizatórios (FSSL)** em recém-nascidos e lactentes.

ITU: Disfunção vesical e intestinal (DVI)

A DVI está presente em até metade das crianças que apresentam o primeiro episódio de ITU. Além disso, pode ser definida a partir do padrão miccional anormal para a idade, persistente, evidenciado após o controle esfincteriano e pela ausência de alterações neurológicas.

atualizações sobre itu na pediatria Disfunção vesical e intestinal (DVI) A DVI está presente em até metade das crianças que apresentam o primeiro episódio de ITU, e pode ser definida a partir do padrão miccional anormal para a idade, persistente, evidenciado após o controle esfincteriano e pela ausência de alterações neurológicas.

Como realizar o diagnóstico da ITU em pacientes pediátricos?

As atualizações sobre ITU na pediatria indicam que o diagnóstico é realizado a partir da suspeição clínica associado a exames que comprovem ou sugiram a ocorrência de ITU. Dessa forma, a suspeita diagnóstica ou ITU provável se dá pela realização do sedimento urinário com a evidência de:

  •  
    • Piúria > 5-10 leuco/campo;
    • Nitrito positivo;
    • Esterase leucocitária positiva;
    • Bacteriúria

Assim sendo, o diagnóstico de ITU confirmada só pode ser estabelecida por Urocultura, padrão-ouro para o diagnóstico. Por isso, sempre solicitá-la diante de uma suspeita é essencial.

A urocultura será positiva a depender do resultado + forma de coleta:

  • Punção suprapúbica (PSP): qualquer contagem de colônias
    • Cateterismo vesical: >50.000 UFC/ml
    • Jato intermediário: > 100 mil UFC/m

Critérios de urocultura na ITU pediátrica

O diagnóstico de ITU confirmada depende da urocultura, e o ponto de corte varia conforme o método de coleta:

Método de coletaUrocultura positiva
Punção suprapúbicaQualquer contagem de colônias
Cateterismo vesicalAcima de 50.000 UFC/mL
Jato médio (intermediário)Acima de 100.000 UFC/mL

Sem controle esfincteriano, usa-se cateterismo, punção suprapúbica ou clean catch. Com controle esfincteriano, coleta-se o jato médio. O saco coletor só tem utilidade se vier negativo (alto valor preditivo negativo); se positivo, precisa ser confirmado por método adequado. A suspeita (ITU provável) já pode ser sugerida pelo sedimento urinário com piúria, nitrito, esterase leucocitária ou bacteriúria.

Tratamento: quando internar e como conduzir

Internam-se os menores de 2 meses, os pacientes com sinais de sepse ou toxemia e os casos com risco de não adesão. O tratamento empírico começa na ITU provável, cobrindo a E. coli (em meninos, atenção ao Proteus). A via oral é preferencial em maiores de 3 meses que toleram; reavalia-se em 48 a 72 horas, e o tempo total costuma variar de 7 a 14 dias.

A SBP faz uma ressalva importante: evitar nitrofurantoína e ácido nalidíxico na ITU febril, pela baixa concentração no parênquima renal (risco de pielonefrite). Ao usar aminoglicosídeo, solicitar creatinina sérica.

Investigação da ITU em pacientes pediátricos com exames de imagem

O objetivo é descartar malformações do trato urinário que possam implicar em piores desfechos no futuro.

USG de VVUU

É o exame de avaliação morfológica inicial na investigação morfológica, especialmente em menores de 2 anos com suspeita de pielonefrite (presença de febre).

Cintilografia com DMSA

Utilizado na pesquisa de cicatriz renal, e avaliação da função renal.

Urerocistografia miccional (UCM)

Importante para avaliar refluxo vesicoureteral e para descartar VUP, geralmente apontada nas questões como meninos que no período intraútero apresentava hidronefrose bilateral.

A SBP afirma que protocolos agressivos aumentam a sensibilidade diagnóstica de RVU e cicatriz renal, mas com benefício questionável, portanto deve-se descartar as situações clínicas primeiramente antes de iniciar terapias mais intensivas como podemos ver abaixo
atualizações sobre itu na pediatria fluxograma de investigação de infecção urinária - fonte SBP 2023

Quimioprofilaxia da ITU em pacientes pediátricos

Objetivo: reduzir recorrência e prevenir formação ou piora de cicatriz renal.

Está indicado em:

  • Alterações na ultrassonografia (antenatal ou atual);
  • ITU febril com PCR positivo;
    • RVU graus 4 ou 5;
    • Uropatias obstrutivas;
    • ITU recorrentes
      • 1 episódio de cistite + 1 pielonefrite
      • ≥ 3 episódios de cistite
      • ≥ 2 episódios de pielonefrite

OBS: Não deve ser utilizada em reinfecção (novo episódio de ITU < 2 semanas) !

Como?

  • Drogas mais utilizadas:
    • < 6 semanas de vida : Cefalexina;
    • > 6 semanas de vida: Nitrofurantoína ou Sulfametoxazol e trimetroprim;
  • De 1/3 ate 1/2 dose terapêutica;
  • 1 x/dia (preferencialmente à noite).

Raio-X MedCof: o que cai na prova sobre ITU na pediatria

ITU pediátrica é tema recorrente em pediatria e clínica. Os pontos de maior rendimento:

  • É a principal causa de febre sem sinais localizatórios em lactentes.
  • Urocultura é o padrão-ouro; punção suprapúbica: qualquer colônia; cateterismo: acima de 50.000; jato médio: acima de 100.000 UFC/mL.
  • Saco coletor só vale se negativo (alto valor preditivo negativo).
  • Evitar nitrofurantoína e ácido nalidíxico na ITU febril.
  • Quimioprofilaxia em RVU graus 4 e 5, uropatias obstrutivas e ITU de repetição, entre outros.

O que fazer: memorize os cortes de urocultura por método de coleta, que são a pegadinha clássica das questões.

Perguntas frequentes sobre ITU na pediatria

Como se confirma a ITU na criança?

Pela urocultura, padrão-ouro, com o ponto de corte variando conforme o método de coleta (punção, cateterismo ou jato médio).

Qual o principal agente?

A Escherichia coli. Em meninos, há maior risco de Proteus.

Qual a via e o tempo de tratamento?

Em maiores de 3 meses que toleram, prefere-se a via oral, por 7 a 14 dias, com reavaliação em 48 a 72 horas.

Quando indicar quimioprofilaxia?

Em situações como RVU graus 4 e 5, uropatias obstrutivas, alterações na ultrassonografia e ITU de repetição.

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Autor

  • Júlia Moreira

    Estudante do 8º semestre de Jornalismo na ECA-USP, fã de filmes de terror e música popular sul-coreana.

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