
Saiba as últimas atualizações sobre ITU na Pediatria divulgadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Resumo rápido: a ITU na pediatria pela SBP
- A ITU é a principal causa de febre sem sinais localizatórios em recém-nascidos e lactentes.
- A urocultura é o padrão-ouro e deve ser sempre solicitada diante de suspeita.
- O tratamento empírico cobre a E. coli, principal agente; a via oral é preferencial em maiores de 3 meses que toleram.
- A investigação por imagem (USG, DMSA, uretrocistografia) busca malformações e cicatriz renal.
Definição: o que é a ITU?
De acordo com a SBP, a Infecção do Trato Urinário (ITU), define-se como um processo inflamatório sintomático gerado por um germe patogênico único no sistema urinário. Ainda de acordo com a Sociedade, trata-se da segunda infecção mais prevalente em crianças de até sete anos. Além disso, a ITU tem alto risco de recorrência dentro do primeiro ano após a primeira infecção. Inclusive, acomete de forma igualitária bebês e crianças de ambos os sexos.

Fatores de risco da Itu em pacientes pediátricos

Manifestação Clínica da ITU em pacientes pediátricos
Segundo as atualizações sobre ITU na Pediatria, levar em consideração a idade e intensidade dos sintomas é necessário ao analisar o quadro clínico. Isso porque a ITU pode se apresentar com quadros leves até quadros graves com bacteremia. Além disso, lembrar que a ITU é a principal causa de Febre Sem Sinais Localizatórios (FSSL) em recém-nascidos e lactentes é importante.

ITU: Disfunção vesical e intestinal (DVI)
A DVI está presente em até metade das crianças que apresentam o primeiro episódio de ITU. Além disso, pode ser definida a partir do padrão miccional anormal para a idade, persistente, evidenciado após o controle esfincteriano e pela ausência de alterações neurológicas.

Como realizar o diagnóstico da ITU em pacientes pediátricos?
As atualizações sobre ITU na pediatria indicam que o diagnóstico é realizado a partir da suspeição clínica associado a exames que comprovem ou sugiram a ocorrência de ITU. Dessa forma, a suspeita diagnóstica ou ITU provável se dá pela realização do sedimento urinário com a evidência de:
-
- Piúria > 5-10 leuco/campo;
-
- Nitrito positivo;
-
- Esterase leucocitária positiva;
-
- Bacteriúria
Assim sendo, o diagnóstico de ITU confirmada só pode ser estabelecida por Urocultura, padrão-ouro para o diagnóstico. Por isso, sempre solicitá-la diante de uma suspeita é essencial.
A urocultura será positiva a depender do resultado + forma de coleta:
- Punção suprapúbica (PSP): qualquer contagem de colônias
- Cateterismo vesical: >50.000 UFC/ml
- Jato intermediário: > 100 mil UFC/m
Critérios de urocultura na ITU pediátrica
O diagnóstico de ITU confirmada depende da urocultura, e o ponto de corte varia conforme o método de coleta:
| Método de coleta | Urocultura positiva |
|---|---|
| Punção suprapúbica | Qualquer contagem de colônias |
| Cateterismo vesical | Acima de 50.000 UFC/mL |
| Jato médio (intermediário) | Acima de 100.000 UFC/mL |
Sem controle esfincteriano, usa-se cateterismo, punção suprapúbica ou clean catch. Com controle esfincteriano, coleta-se o jato médio. O saco coletor só tem utilidade se vier negativo (alto valor preditivo negativo); se positivo, precisa ser confirmado por método adequado. A suspeita (ITU provável) já pode ser sugerida pelo sedimento urinário com piúria, nitrito, esterase leucocitária ou bacteriúria.
Tratamento: quando internar e como conduzir
Internam-se os menores de 2 meses, os pacientes com sinais de sepse ou toxemia e os casos com risco de não adesão. O tratamento empírico começa na ITU provável, cobrindo a E. coli (em meninos, atenção ao Proteus). A via oral é preferencial em maiores de 3 meses que toleram; reavalia-se em 48 a 72 horas, e o tempo total costuma variar de 7 a 14 dias.
A SBP faz uma ressalva importante: evitar nitrofurantoína e ácido nalidíxico na ITU febril, pela baixa concentração no parênquima renal (risco de pielonefrite). Ao usar aminoglicosídeo, solicitar creatinina sérica.
Investigação da ITU em pacientes pediátricos com exames de imagem
O objetivo é descartar malformações do trato urinário que possam implicar em piores desfechos no futuro.
USG de VVUU
É o exame de avaliação morfológica inicial na investigação morfológica, especialmente em menores de 2 anos com suspeita de pielonefrite (presença de febre).
Cintilografia com DMSA
Utilizado na pesquisa de cicatriz renal, e avaliação da função renal.
Urerocistografia miccional (UCM)
Importante para avaliar refluxo vesicoureteral e para descartar VUP, geralmente apontada nas questões como meninos que no período intraútero apresentava hidronefrose bilateral.


Quimioprofilaxia da ITU em pacientes pediátricos
Objetivo: reduzir recorrência e prevenir formação ou piora de cicatriz renal.
Está indicado em:
- Alterações na ultrassonografia (antenatal ou atual);
- ITU febril com PCR positivo;
- RVU graus 4 ou 5;
- Uropatias obstrutivas;
- ITU recorrentes
- 1 episódio de cistite + 1 pielonefrite
- ≥ 3 episódios de cistite
- ≥ 2 episódios de pielonefrite
OBS: Não deve ser utilizada em reinfecção (novo episódio de ITU < 2 semanas) !
Como?
- Drogas mais utilizadas:
- < 6 semanas de vida : Cefalexina;
- > 6 semanas de vida: Nitrofurantoína ou Sulfametoxazol e trimetroprim;
- De 1/3 ate 1/2 dose terapêutica;
- 1 x/dia (preferencialmente à noite).
Raio-X MedCof: o que cai na prova sobre ITU na pediatria
ITU pediátrica é tema recorrente em pediatria e clínica. Os pontos de maior rendimento:
- É a principal causa de febre sem sinais localizatórios em lactentes.
- Urocultura é o padrão-ouro; punção suprapúbica: qualquer colônia; cateterismo: acima de 50.000; jato médio: acima de 100.000 UFC/mL.
- Saco coletor só vale se negativo (alto valor preditivo negativo).
- Evitar nitrofurantoína e ácido nalidíxico na ITU febril.
- Quimioprofilaxia em RVU graus 4 e 5, uropatias obstrutivas e ITU de repetição, entre outros.
O que fazer: memorize os cortes de urocultura por método de coleta, que são a pegadinha clássica das questões.
Perguntas frequentes sobre ITU na pediatria
Como se confirma a ITU na criança?
Pela urocultura, padrão-ouro, com o ponto de corte variando conforme o método de coleta (punção, cateterismo ou jato médio).
Qual o principal agente?
A Escherichia coli. Em meninos, há maior risco de Proteus.
Qual a via e o tempo de tratamento?
Em maiores de 3 meses que toleram, prefere-se a via oral, por 7 a 14 dias, com reavaliação em 48 a 72 horas.
Quando indicar quimioprofilaxia?
Em situações como RVU graus 4 e 5, uropatias obstrutivas, alterações na ultrassonografia e ITU de repetição.
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