Saiba como lidar em casos de Acidente com Corpo Estranho em crianças

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Acidentes com brinquedos, objetos de casa e alimentos é, infelizmente, bastante comum entre as crianças, sobretudo em meninos menores de 5 anos. Os corpos estranhos podem ser inoculados por via nasal e ontológica, o que geralmente tem menor gravidade e podem ser retirados em consultórios/emergência, ou podem ser aspirados, com maior grau de complicação, já que é uma das principais causas de óbito acidental em pesquisas feitas com menores de 1 ano. Além disso, os objetos podem atingir o trato gastrointestinal da criança e transportar parasitas ou causar sérios ferimentos. 

No Trato Respiratório Características principais em acidentes 

A maioria dos incidentes acontecem sob supervisão de um adulto, porém menos da metade dos responsáveis afirma uma história compatível com a causalidade. Devemos sempre suspeitar em contextos de:

  • Início abrupto de tosse; 
  • Engasgo/asfixia;
  • Estridor enquanto criança brinca ou se alimenta;
  • Queixas pulmonares inespecíficas;
  • Sintomatologia via aérea prolongada sem resposta clínica. 

Anamnese do pequeno paciente

A tríade clássica de sinais e sintomas inclui os sibilos, assimetria na ausculta pulmonar e tosse/engasgo/asfixia. Dependendo da localização do corpo estranho, podemos identificar até alteração vocal e dificuldade ventilatória.

Exames de imagem

¼ dos casos não apresenta anormalidades nas imagens iniciais, pois nem todo corpo é radiopaco e a localização dele pode mudar. Nos exames de imagens podemos identificar enfisema, atelectasia e consolidação. Usamos especificamente a tomografia computadorizada quando o contexto diagnóstico é duvidoso e tardio, pois ela apresenta alta sensibilidade e especificidade.

Complicações e Manejo

A falência respiratória, a inflamação/infecção do trato, defeitos de perfusão e outros efeitos sobre a área respiratória são prováveis complicações da invasão, o que requer um manejo rápido e eficaz dos pediatras.  Para minimizar os efeitos, são procedimentos favoráveis a broncoscopia rígida (padrão ouro) e as manobras de salvamento ( dependendo da idade do paciente). 

até 1 anomaiores de 1 anosem resposta
5 golpes nas costas + 5 compressões torácicasManobra de HeimlichRCP

A prevenção é a principal estratégia para evitar o quadro e deve ser feita por meio da educação dos pais durante a puericultura e pelo treinamento de manobras de salvamento para os responsáveis. 

No Trato Gastrointestinal – Características principais em acidentes 

Nesse caso, a criança engole objetos não comestíveis (os principais são moedas, brinquedos pequenos, joias, ímãs e baterias). Existem casos mais exuberantes da ingestão, como os corpos estranhos localizados no esôfago, ou regridem espontaneamente pelo TGI (maioria dos casos). Os sinais e sintomas dependem do objeto ingerido, mas em geral podemos citar:

  • Dores e incômodos; 
  • Digestão prejudicada – analisado pelas fezes; 
  • Perfuração interna no canal digestivo;  
  • Intoxicação – como na ingestão de baterias.

Anamnese do pequeno paciente

Os exames de imagem, assim como ingestão no trato respiratório, também são primordiais para a correta localização do objeto. Entre eles, podemos citar a radiografia Ap e lateral das regiões cervical, torácica e abdominal; CE rádio translúcidos; TC (se necessitar de manejo cirúrgico) e EDA (diagnóstica e terapêutica). 

Complicações e Manejo

Dependendo de onde o corpo estranho se alojou, a natureza dele, o tempo desde que foi ingerido e os riscos potenciais envolvidos, o manejo aplicado é diferente. Após a anamnese e exame físico, o exame de imagem é usado para confirmação do local e objeto para orientação do manejo: 

Corpo EstranhoLocalManejo 
MoedasEsôfago1 , Estômago2, Intestino Delgado3Remoção endoscópica terapia laxativa e remoção endoscópica remoção cirúrgica 
BateriaEsôfago1, Estomogo ou após2 remoção endoscópica e/ou internação com antibióticos avaliação de injúrias e lesões, além de remoção endoscópica 
Objeto pontiagudo Esôfago1, Estômago2, Intestino Delgado3Remoção endoscópica de emergência Avaliar a remoção remoção cirúrgica ou estereoscópico 

As possíveis complicações estão muito relacionadas ao tipo do corpo, já que a natureza dele pode ocasionar diferentes lesões. As moedas podem impedir a passagem pelo canal gastrointestinal, gerando problemas digestivos e fecais vários. As baterias possuem aumento da morbidade associado a toxicidade dos produtos que elas contêm (como lítio) e ao tamanho delas, fatores que contribuem para necrose por liquefação e lesão termoelétrica. Os objetos pontiagudos causam perfurações séries no canal gástrico infantil e, por isso, são emergências clínicas.   

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