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quarta-feira, 26 fevereiro
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Suplementação de cálcio passa a ser universal para gestantes contra a pré-eclâmpsia

Em estratégia contra a pré-eclâmpsia, o Ministério da saúde publicou uma nota técnica conjunta, elaborada pela Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Mulheres, que estabelece a suplementação universal do cálcio em gestantes na Atenção Primária à Saúde (APS). Entenda tudo em nosso post!

Nota Técnica Conjunta 251/2024

A nota elaborada tem como objetivo orientar a suplementação de cálcio para prevenir distúrbios hipertensivos na gestação, como a pré-eclâmpsia, que é uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil. A orientação foi definida devido a baixa ingestão de cálcio entre mulheres brasileiras.

Orientações de suplementação pelo SUS

O protocolo a ser seguido pela nova diretriz será:

  • Público: todas as gestantes atendidas no Sistema Único de Saúde (SUS), com início da suplementação a partir da 12ª semana de gestação até o parto;
  • Dosagem: dois comprimidos diários de carbonato de cálcio (1.250 mg, equivalente a 1.000 mg de cálcio elementar); 
  • Prescrição: pode ser feita por médicos, enfermeiros e nutricionistas das equipes da APS;
  • Cuidados na administração: o suplemento não deve ser ingerido junto com a suplementação de ferro, sendo necessário um intervalo de duas horas entre os suplementos para garantir a absorção adequada de cada um. 

Por que suplementar?

De acordo com estudos, a suplementação diária de cálcio reduz em até 55% o risco de pré-eclâmpsia. Desde 2011, a OMS recomenda a suplementação de cálcio para gestantes com baixa ingestão do nutriente ou em situações de alto risco para pré-eclâmpsia. 

Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (2017-2018), mais de 96% das mulheres adultas consomem menos cálcio do que o recomendado, reforçando a necessidade da oferta universal do suplemento. 

O que é a pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é o novo diagnóstico de hipertensão arterial ou da piora de hipertensão arterial preexistente que surge após a 20ª semana de gestação. Já a eclâmspia são convulsões que ocorrem em mulheres com pré-eclâmpsia e que não apresentam outra causa.

Causas

Ainda desconhecida, a pré-eclâmpsia é mais comum em mulheres com os seguintes distúrbios ou características:

  • Pré-eclâmpsia em uma gravidez anterior;
  • Dois ou mais fetos (gravidez múltipla) na gravidez atual;
  • Distúrbio de coagulação, como a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo;
  • Diabetes presente antes da gravidez ou surgido durante a gestação (diabetes gestacional);
  • Hipertensão arterial ou um distúrbio dos vasos sanguíneos antes da gravidez;
  • Primeira gravidez;
  • Idade acima de 35 anos;
  • Obesidade;
  • Parentes que tiveram pré-eclâmpsia;
  • Ancestralidade negra não hispânica, indígena americana ou nativa do Alasca.

Sintomas

Algumas mulheres não apresentam sintomas, porém em outros casos é possível notar retenção de líquidos nas mãos, nos dedos das mãos, no rosto e nos tornozelos e pés. Em casos mais graves, a pré-eclâmpsia pode danificar os órgãos, tais como o cérebro, os rins, os pulmões, o coração ou o fígado. Outros sintomas incluem:

  • Dores de cabeça intensas;
  • Visão distorcida;
  • Confusão;
  • Reflexos hiperativos;
  • Dor na parte superior direita do abdômen (sobre o fígado);
  • Náusea e/ou vômito;
  • Dificuldade em respirar;
  • Diminuição da urina;
  • Hipertensão arterial muito elevada;
  • Acidente vascular cerebral (raramente).

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico ocorre por meio do aumento de proteína na urina da gestante ou o aumento da pressão arterial durante a gravidez, além de avaliação médica e exames de sangue.

O tratamento pode incluir internação hospital em alguns casos para tratar a hipertensão arterial. Já em outros casos o sulfato de magnésio pode ser preescrito para prevenir ou interromper convulsões. Porém, dependendo da gravidade da pré-eclâmpsia e do bem-estar da mãe e do feto e número de semanas de gestação, também é realizado o parto do bebê, que normalmente é o melhor tratamento. Caso necessário, a mulher é inicialmente tratada com medicamentos para prevenir convulsões. Então, o parto costuma ser realizado assim que possível nas seguintes situações:

  • Problemas no feto;
  • A gestação durou 37 semanas ou mais;
  • Eclâmpsia;
  • Pré-eclâmpsia grave se a gravidez já tiver durado 34 semanas ou mais;
  • Agravamento dos danos aos órgãos da mãe;
  • Síndrome de HELLP.

Desse modo, após o parto a pressão arterial deve ser monitorada de perto até voltar ao normal.

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Leila Menzel
Leila Menzel
Estudante do 4° semestre de jornalismo, amo e escrevo poesias e viajo em livros de romances clichês.
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