
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, em 1º de setembro de 2026, o projeto que prevê a inclusão da vacina contra o herpes-zóster no calendário nacional de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta estabelece a oferta do imunizante para pessoas com mais de 50 anos e para menores de 18 anos com sistema imunológico comprometido.
O texto corresponde ao Projeto de Lei (PL) 4.426/2025 e foi aprovado por unanimidade na comissão. Antes de avançar na tramitação, porém, a matéria ainda precisa passar por um turno suplementar na própria CAS. Caso não haja solicitação para análise pelo Plenário do Senado, a proposta poderá seguir para a Câmara dos Deputados. Portanto, a vacina contra herpes-zóster ainda não foi incorporada ao calendário do SUS.
A relatora do projeto, senadora Damares Alves, destacou que o impacto do herpes-zóster tende a aumentar com o envelhecimento da população. A parlamentar também relatou ter tido a doença em 2023, com paralisia facial e dor intensa.
A proposta já havia avançado em fevereiro de 2026, quando a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou o projeto, na forma de substitutivo apresentado pela senadora Mara Gabrilli.
O que é herpes-zóster?
O herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, é uma doença causada pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ), o mesmo agente responsável pela catapora (varicela).
Após a infecção inicial, o vírus permanece no organismo em estado de latência e pode ser reativado anos depois. Essa reativação ocorre principalmente na idade adulta e em pessoas com comprometimento do sistema imunológico. Entre os grupos de maior risco estão indivíduos com algumas doenças crônicas, câncer, pessoas vivendo com HIV/Aids e pacientes submetidos a transplantes ou tratamentos imunossupressores.
O quadro caracteriza-se principalmente pelo surgimento de uma erupção cutânea dolorosa, geralmente unilateral e acompanhando o trajeto de um nervo.

Quais são os sintomas do herpes-zóster?
Os sintomas podem começar antes mesmo do aparecimento das lesões na pele. De acordo com o Ministério da Saúde, os principais sinais e sintomas incluem:
- Dor nevrálgica;
- Formigamento;
- Sensação de agulhadas ou adormecimento;
- Ardor e coceira no local;
- Febre;
- Dor de cabeça;
- Mal-estar.
Posteriormente, surgem vesículas sobre uma área avermelhada da pele. A erupção geralmente aparece de forma unilateral, raramente ultrapassa a linha média do corpo e acompanha o trajeto de um nervo.
As vesículas surgem gradualmente e, na ausência de infecção secundária, secam, formam crostas e evoluem para a cicatrização em aproximadamente duas a quatro semanas.
Como ocorre a transmissão do herpes-zóster?
O herpes-zóster não é adquirido da mesma maneira que uma nova infecção pelo vírus da catapora. Na maioria dos casos, ele resulta da reativação do vírus Varicela-Zóster que já permanece no organismo após uma infecção anterior.
Entretanto, uma pessoa com herpes-zóster pode transmitir o vírus Varicela-Zóster para alguém que nunca teve contato com o vírus ou não está imunizado. Nesse caso, a pessoa exposta pode desenvolver catapora, e não herpes-zóster.
A transmissão pode ocorrer por contato direto com as lesões e também por secreções respiratórias. Por isso, durante a fase ativa da doença, é importante evitar o contato com pessoas suscetíveis, especialmente indivíduos imunossuprimidos, gestantes e recém-nascidos.
Quais são os fatores de risco para herpes-zóster?
O principal fator associado ao desenvolvimento do herpes-zóster é o envelhecimento, já que o risco de reativação do vírus aumenta com a idade.
Também apresentam maior risco de desenvolver a doença pessoas com comprometimento da imunidade, incluindo pacientes com câncer, HIV/Aids, indivíduos submetidos a transplantes e pessoas que utilizam medicamentos imunossupressores. Algumas doenças crônicas também estão associadas a maior risco de reativação.
Quais são as complicações do herpes-zóster?
Embora muitos casos evoluam para resolução, o herpes-zóster pode provocar complicações, especialmente em pessoas mais velhas ou imunocomprometidas.
A principal complicação é a neuralgia pós-herpética (NPH), caracterizada pela persistência da dor após a resolução das lesões cutâneas. A dor pode permanecer por meses ou até anos e comprometer significativamente a qualidade de vida.
Também podem ocorrer infecções bacterianas secundárias das lesões e manifestações mais graves quando há comprometimento de estruturas específicas, como os olhos e o sistema nervoso. O Ministério da Saúde destaca que a doença também pode apresentar formas clínicas graves e, em determinadas situações, levar à morte.
Herpes-zóster oftálmico
Quando o herpes-zóster acomete o território do ramo oftálmico do nervo trigêmeo, pode ocorrer o herpes-zóster oftálmico.

A condição merece atenção devido ao risco de complicações oculares. A presença de erupções papulovesiculares de base eritematosa distribuídas pela região frontotemporal direita, sem ultrapassar a linha média e com extensão até à extremidade do nariz, é conhecida como sinal de Hutchinson, pode indicar o envolvimento do ramo nasociliar e deve motivar avaliação oftalmológica.

Síndrome de Ramsay Hunt
Outra manifestação clínica importante é a síndrome de Ramsay Hunt, relacionada ao acometimento de nervos cranianos.
O quadro pode cursar com lesões no ouvido, dor de ouvido, paralisia facial, alterações do paladar e vertigem. O reconhecimento precoce é importante para o manejo adequado e para reduzir o risco de sequelas.

Como é feito o diagnóstico?
Na maioria dos casos, o diagnóstico do herpes-zóster é clínico, considerando a história do paciente e as características das lesões.
O padrão típico é de vesículas agrupadas sobre uma base avermelhada, distribuídas de maneira unilateral e seguindo o trajeto de um nervo (dermátomo). Em situações atípicas, imunossupressão ou dúvidas diagnósticas, podem ser necessários exames complementares.
Como é o tratamento do herpes-zóster?
O tratamento depende da apresentação clínica e das condições individuais do paciente.
Nos casos sem fatores de risco para agravamento, o tratamento pode ser sintomático, com medidas para controle da dor, febre e prurido, além dos cuidados com a higiene das lesões.
Quando há indicação de terapia antiviral, medicamentos como aciclovir e valaciclovir podem ser utilizados conforme avaliação médica. A terapia antiviral apresenta maior benefício quando iniciada precocemente; segundo o Ministério da Saúde, quando iniciada em até 72 horas após o aparecimento do rash, podendo reduzir a ocorrência de neuralgia pós-herpética.
Casos graves ou disseminados, especialmente em pacientes imunocomprometidos, podem exigir internação e tratamento específico com uso da terapia antiviral na forma endovenosa.
Para manejo da dor aguda pode-se lançar mão de: anti-inflamatórios não esteroidais ou analgésicos simples (dor leve), opioides e/ou gabapentinoides (dor mais intensa). O uso de glicocorticoide (prednisona) pode reduzir a dor aguda e melhorar a funcionalidade, mas não reduz o risco de nevralgia pós herpética.
Como prevenir o herpes-zóster?
A vacinação é uma das principais estratégias de prevenção do herpes-zóster e de suas complicações. Atualmente temos como principal representante a vacina recombinante (Shingrix) que consiste em 2 doses, com 2 meses de intervalo. Não existe de forma concisa em literatura tempo bem determinado para aguardar entre o episódio de Zoster e a aplicação da vacina; em geral, recomenda-se que haja um intervalo entre de 6 meses.
No Brasil, a discussão sobre a ampliação do acesso à vacina ganhou destaque em 2026 com o avanço do PL 4.426/2025 no Senado. A proposta aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais prevê a inclusão do imunizante no calendário nacional do SUS para pessoas com mais de 50 anos e menores de 18 anos com sistema imunológico comprometido.
É importante reforçar que, até o momento, essa inclusão ainda depende da continuidade da tramitação legislativa e não significa que a vacina já faça parte do calendário do SUS para esses grupos.
Além da vacinação, medidas de prevenção durante um episódio ativo incluem evitar contato direto com as lesões, manter a higiene das mãos após tocá-las e seguir as orientações de isolamento quando indicadas.
Herpes-zóster: o que você precisa lembrar para a prática médica?
O herpes-zóster é consequência da reativação do vírus Varicela-Zóster, geralmente anos após a infecção primária. O quadro clássico apresenta dor, parestesias, ardor ou coceira, seguidos por vesículas agrupadas em distribuição unilateral e dermatomérica.
Para a prática médica e para as provas de residência, alguns pontos merecem atenção:
- O vírus causador é o Varicela-Zóster, também responsável pela catapora;
- O vírus permanece latente no organismo após a infecção primária;
- O risco aumenta com a idade e com a imunossupressão;
- A distribuição das lesões costuma ser unilateral e seguir um dermátomo;
- O herpes-zóster oftálmico pode comprometer a visão;
- O sinal de Hutchinson está associado ao acometimento do ramo nasociliar;
- A neuralgia pós-herpética é uma das principais complicações;
- O tratamento antiviral, quando indicado, deve ser iniciado precocemente;
- A vacinação é uma importante estratégia de prevenção.
Como é cobrado na prova?
(HIAE-SP 2022 ACESSO DIRETO) Paciente, 27 anos, masculino, apresenta-se ao pronto-socorro com lesões dolorosas, bolhosas de fundo avermelhado localizadas em região abdominal. Entre as hipóteses diagnósticas abaixo, a mais provável para este caso é:
A) Varicela
B) Sarampo
C) Reação alérgica de contato
D) Herpes-Zóster
Gabarito: Letra D
Herpes-zóster pode cair na sua prova
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