
Contextualizando
A diverticulite aguda é uma condição inflamatória comum que afeta o cólon, particularmente em países ocidentais. Devido aos sintomas inflamatórios, a diverticulite deve ser explorada de forma completa, abordando sua definição, fatores de risco, apresentação clínica, diagnóstico e opções de tratamento.
Definição e Fatores de Risco
A diverticulite aguda é uma complicação da doença diverticular, caracterizada pela inflamação de um ou mais divertículos no cólon. Divertículos são protusões saculares da mucosa através da parede muscular do cólon. A doença diverticular é a presença desses divertículos no intestino.
- Fatores de risco para a doença diverticular incluem:
- Dieta pobre em fibras e rica em carne.
- Envelhecimento (maior prevalência em idosos).
- Fatores de risco específicos para diverticulite incluem:
- Tabagismo.
- Uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).
- Sedentarismo.
- Obesidade.
Apresentação Clínica
A diverticulite aguda tipicamente se manifesta como um quadro de abdome agudo inflamatório, geralmente localizado no quadrante inferior esquerdo (FIE), acompanhado de:
- Dor abdominal de evolução progressiva;
- Febre;
- Náuseas;
- Leucocitose (aumento dos glóbulos brancos);
- Disúria (em alguns casos).
Em pacientes idosos, orientais, com quadro inflamatório agudo à direita, deve-se considerar a diverticulite em seco como diagnóstico diferencial, especialmente em asiáticos.
Diagnóstico
O diagnóstico da diverticulite aguda é baseado na combinação de achados clínicos e exames de imagem.
Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste
É o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da inflamação e possíveis complicações. A TC pode revelar espessamento da parede do cólon, inflamação da gordura pericólica e a presença de divertículos.
*É importante distinguir entre diverticulite não complicada e complicada:
- Diverticulite não complicada: A TC mostra inflamação local, espessamento da parede do cólon, borramento da gordura pericólica e divertículos;
- Diverticulite complicada: Classificada de acordo com a classificação de Hinchey, que descreve a presença de abscessos e peritonite.
Classificação de Hinchey
A classificação de Hinchey é utilizada para estratificar a gravidade da diverticulite complicada e orientar o tratamento:
Hinchey I: Abscesso pericólico pequeno, confinado ao mesentério do cólon.
Hinchey II: Abscesso grande, distante, localizado na pelve ou retroperitônio.
Hinchey III: Peritonite purulenta decorrente da ruptura de um abscesso.
Hinchey IV: Peritonite fecal decorrente da perfuração livre de um divertículo não inflamado.
Tratamento
O tratamento da diverticulite aguda varia de acordo com a gravidade da apresentação clínica e a presença de complicações.
- Diverticulite não complicada
Em muitos casos, o tratamento pode ser ambulatorial com antibióticos orais e dieta leve. No entanto, alguns estudos sugerem que, em pacientes imunocompetentes com casos leves, o uso de antibióticos pode não ser necessário.
- Diverticulite complicada: Requer internação hospitalar e pode envolver:
- Hinchey I: Antibioticoterapia intravenosa e observação.
- Hinchey II: Antibioticoterapia intravenosa e drenagem percutânea de abscesso.
- Hinchey III e IV: Antibioticoterapia intravenosa e cirurgia. A cirurgia pode envolver a ressecção do segmento do cólon afetado com ou sem anastomose primária (cirurgia de Hartmann).
Quando Internar
A internação hospitalar é indicada em pacientes com diverticulite complicada, dor abdominal intensa, intolerância à antibioticoterapia oral, idade avançada, diabetes, sinais de sepse, comorbidades significativas, condições sociais desfavoráveis e falta de resposta ao tratamento ambulatorial.
Diverticulite de Repetição
A diverticulite de repetição pode levar a complicações como fístulas colovesicais (comunicação entre o cólon e a bexiga) ou estenoses (estreitamento do cólon). O tratamento agudo envolve antibioticoterapia e suporte. A cirurgia eletiva (colectomia com anastomose primária, rafia de bexiga e patch de omento) pode ser considerada após a resolução do quadro agudo.

E a Cirurgia Eletiva?
A decisão de realizar uma cirurgia eletiva após um episódio de diverticulite aguda leve é individualizada. A abordagem atual é mais conservadora, pois os primeiros surtos tendem a ser os mais graves. A cirurgia pode ser considerada em pacientes com:
- Recidiva (dois ou mais episódios);
- Imunocomprometidos;
- Idade jovem;
- Sintomas crônicos.
E a Colonoscopia Eletiva?
A colonoscopia eletiva é recomendada em pacientes com suspeita de complicação crônica, indicações por outros motivos ou que não apresentam melhora com o tratamento conservador.
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