Inflamação do Cólon: o que é a diverticulite? 

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Contextualizando 

A diverticulite aguda é uma condição inflamatória comum que afeta o cólon, particularmente em países ocidentais. Devido aos sintomas inflamatórios, a diverticulite deve ser explorada de forma completa, abordando sua definição, fatores de risco, apresentação clínica, diagnóstico e opções de tratamento.

Fonte: http://www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp?id=2179&idioma=Portugues 

Definição e Fatores de Risco

A diverticulite aguda é uma complicação da doença diverticular, caracterizada pela inflamação de um ou mais divertículos no cólon. Divertículos são protusões saculares da mucosa através da parede muscular do cólon. A doença diverticular é a presença desses divertículos no intestino.

  • Fatores de risco para a doença diverticular incluem:
  • Dieta pobre em fibras e rica em carne.
  • Envelhecimento (maior prevalência em idosos).
  • Fatores de risco específicos para diverticulite incluem:
  • Tabagismo.
  • Uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).
  • Sedentarismo.
  • Obesidade.

Apresentação Clínica

A diverticulite aguda tipicamente se manifesta como um quadro de abdome agudo inflamatório, geralmente localizado no quadrante inferior esquerdo (FIE), acompanhado de:

Inflamação do Cólon
Fonte: Acervo de Aulas do Grupo MedCof.
  • Dor abdominal de evolução progressiva;
  • Febre;
  • Náuseas;
  • Leucocitose (aumento dos glóbulos brancos);
  • Disúria (em alguns casos).

Em pacientes idosos, orientais, com quadro inflamatório agudo à direita, deve-se considerar a diverticulite em seco como diagnóstico diferencial, especialmente em asiáticos.

Diagnóstico

O diagnóstico da diverticulite aguda é baseado na combinação de achados clínicos e exames de imagem.

Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste

É o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da inflamação e possíveis complicações. A TC pode revelar espessamento da parede do cólon, inflamação da gordura pericólica e a presença de divertículos.

*É importante distinguir entre diverticulite não complicada e complicada:

  • Diverticulite não complicada: A TC mostra inflamação local, espessamento da parede do cólon, borramento da gordura pericólica e divertículos;
  • Diverticulite complicada: Classificada de acordo com a classificação de Hinchey, que descreve a presença de abscessos e peritonite.

Classificação de Hinchey

A classificação de Hinchey é utilizada para estratificar a gravidade da diverticulite complicada e orientar o tratamento:

Hinchey I: Abscesso pericólico pequeno, confinado ao mesentério do cólon.
Hinchey II: Abscesso grande, distante, localizado na pelve ou retroperitônio.
Hinchey III: Peritonite purulenta decorrente da ruptura de um abscesso.
Hinchey IV: Peritonite fecal decorrente da perfuração livre de um divertículo não inflamado.Cirurgia Geral, Inflamação do Cólon
Fonte: Acervo Dr. Juliano C. Ludvig e Dra. Luiza D. Perini.
Hinchey I: Abscesso pericólico pequeno, confinado ao mesentério do cólon.
Hinchey II: Abscesso grande, distante, localizado na pelve ou retroperitônio.
Hinchey III: Peritonite purulenta decorrente da ruptura de um abscesso.
Hinchey IV: Peritonite fecal decorrente da perfuração livre de um divertículo não inflamado.

Tratamento

O tratamento da diverticulite aguda varia de acordo com a gravidade da apresentação clínica e a presença de complicações.

  1. Diverticulite não complicada

 Em muitos casos, o tratamento pode ser ambulatorial com antibióticos orais e dieta leve. No entanto, alguns estudos sugerem que, em pacientes imunocompetentes com casos leves, o uso de antibióticos pode não ser necessário.

  1. Diverticulite complicada: Requer internação hospitalar e pode envolver:
  • Hinchey I: Antibioticoterapia intravenosa e observação.
  • Hinchey II: Antibioticoterapia intravenosa e drenagem percutânea de abscesso.
  • Hinchey III e IV: Antibioticoterapia intravenosa e cirurgia. A cirurgia pode envolver a ressecção do segmento do cólon afetado com ou sem anastomose primária (cirurgia de Hartmann).

Quando Internar

A internação hospitalar é indicada em pacientes com diverticulite complicada, dor abdominal intensa, intolerância à antibioticoterapia oral, idade avançada, diabetes, sinais de sepse, comorbidades significativas, condições sociais desfavoráveis e falta de resposta ao tratamento ambulatorial.

Diverticulite de Repetição

A diverticulite de repetição pode levar a complicações como fístulas colovesicais (comunicação entre o cólon e a bexiga) ou estenoses (estreitamento do cólon). O tratamento agudo envolve antibioticoterapia e suporte. A cirurgia eletiva (colectomia com anastomose primária, rafia de bexiga e patch de omento) pode ser considerada após a resolução do quadro agudo.

E a Cirurgia Eletiva?

A decisão de realizar uma cirurgia eletiva após um episódio de diverticulite aguda leve é individualizada. A abordagem atual é mais conservadora, pois os primeiros surtos tendem a ser os mais graves. A cirurgia pode ser considerada em pacientes com:

  •  Recidiva (dois ou mais episódios);
  • Imunocomprometidos;
  • Idade jovem;
  • Sintomas crônicos.

E a Colonoscopia Eletiva? 

A colonoscopia eletiva é recomendada em pacientes com suspeita de complicação crônica, indicações por outros motivos ou que não apresentam melhora com o tratamento conservador.

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