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terça-feira, 25 fevereiro
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Semana Nacional de Conscientização da Gravidez na Adolescência

Semana Nacional de Conscientização 

Em 2019, a lei de n° 13.798 instaurou a data de 1° a 8 de fevereiro como a Semana de Conscientização da Gravidez na Adolescência como modo de disseminação informações educativas de saúde, a fim de diminuir os casos de gestação em mulheres ainda não totalmente preparadas para a geração uterina.

Dados e definições 

A adolescência, para os dados de saúde, representa as idades de 10 a 19 anos, de modo geral para homens e mulheres. Além disso, o pico da vida reprodutiva feminina ocorre dos 20 aos 30 anos, embora ela ainda possa engravidar depois dessa faixa, porém com maior dificuldade.  

De acordo com dados do IBGE, a população de adolescentes femininas no Brasil é, em média, de 10 milhões, sendo que, conforme pesquisa do Ministério da Saúde feita em 2020, houveram 380 mil partos de adolescentes até o ano de análise.

A Organização Mundial de Saúde demarca a fragilidade dessa condição, já que a prevalência de complicações, tanto para a mãe, quanto para o bebê, são inúmeras.  Podemos pensar em malformações fetais, agravos psicossociais na adolescentes e, também, fragilidade socioeconômica.

Riscos e Complicações 

Riscos para a Mãe Adolescente

Adolescentes grávidas, particularmente aquelas com menos de 16 anos ou cuja menarca ocorreu há menos de dois anos, enfrentam a competição por nutrientes com o feto, situação conhecida como duplo anabolismo. Isso pode comprometer tanto o crescimento da mãe quanto o desenvolvimento fetal. Outras condições físicas, como altura inferior a 150 cm ou peso abaixo de 45 kg, ampliam os riscos.

As questões socioeconômicas e comportamentais desempenham igualmente papéis significativos. O uso de álcool e drogas, inclusive medicações não prescritas, aumenta a probabilidade de complicações. Gravidezes resultantes de abuso sexual ou violência também colocam a adolescente em condições de elevado estresse. Além disso, uma visão negativa sobre a gestação pode levar a tentativas de aborto inseguro ou ao abandono do pré-natal, expondo a saúde da mãe e do bebê a riscos.

Enfermedades crônicas (como diabetes, doenças cardíacas, ou infecções sexualmente transmissíveis) e emergentes (como dengue e zika), representam vigilância constante. As complicações durante o parto também são frequentes, muitas vezes resultando em cesarianas de emergência.

Riscos para o Recém-nascido

Os bebês de mães adolescentes frequentemente nascem prematuros ou com baixo peso, permitindo maior vulnerabilidade. O escore de Apgar baixo, infecções congênitas, ou defeitos ao nascer, necessitam de cuidados intensivos e avaliação constante. Esses recém-nascidos podem enfrentar dificuldades na sucção e amamentação, enquanto o ambiente doméstico frequentemente desestabilizado compromete a higiene e cuidados básicos.

Possíveis consequências na saúde mental da jovem

A gestação e o período pós-parto são fases críticas na vida de uma mulher, marcadas por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Quando a gravidez coincide com a adolescência, há maior vulnerabilidade na saúde das mães jovens e na do recém nascido, já que o organismo da jovem como um todo, não está preparado para a gestação e o RN é totalmente dependente da mãe. Durante esse tempo de desenvolvimento do feto, a saúde mental materna pode ser significativamente impactada, levando ao desenvolvimento de distúrbios psiquiátricos que afetam não apenas a mãe, mas também a relação mãe-filho e o desenvolvimento da criança.

Por isso, a primeira semana de Fevereiro é marcada como a Semana de Prevenção à Gravidez na Adolescência, nos lembrando da importância de dominar diversos conhecimentos na Residência de Obstetrícia, como os principais distúrbios psiquiátricos que podem ocorrer durante a gestação e o puerpério a todas as gestantes, mas principalmente aquelas mais jovens e não funcionalmente preparadas para gerar. Então, vamos lembrar conceitos cruciais acerca dessa temática, a fim de melhorar nosso cuidado médico!

Fonte: Filme “Juno” https://pin.it/5pgF6EcrV

Introdução

A saúde mental materna é um aspecto crucial do cuidado obstétrico, com cerca de 25-35% das mulheres desenvolvendo sintomas depressivos durante a gravidez. Os distúrbios psiquiátricos nesse período não são homogêneos e podem variar de leves a graves, exigindo uma abordagem cuidadosa e individualizada.

Depressão Maior na Gestação

Etiopatogenia e Fatores de Risco

A depressão maior durante a gestação ainda carece de uma etiopatogenia clara, mas acredita-se que a desregulação dos neurotransmissores, aliada a fatores estressantes, desempenhe um papel crucial. Fatores de risco incluem:

  • História prévia de depressão
  • Histórico familiar de doenças psiquiátricas
  • Complicações obstétricas passadas
  • Fatores socioeconômicos adversos

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico baseia-se nos critérios do DSM-V, que requerem a presença de cinco ou mais sintomas por pelo menos duas semanas, incluindo humor deprimido ou perda de interesse. O tratamento pode incluir psicoterapia e, em casos moderados a graves, intervenção farmacológica com ISRSs (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina) como primeira linha.

Blues Puerperal

O blues puerperal é o distúrbio psiquiátrico mais comum no período pós-parto, afetando 40-80% das mulheres. Caracteriza-se por sintomas leves e transitórios de depressão, como choro fácil e irritabilidade, que geralmente melhoram em 10-14 dias.

Fonte: https://pin.it/7tVIvoZVD 

Fatores de Risco e Manejo

Fatores de risco incluem histórico de depressão e estresse relacionado aos cuidados com o recém-nascido. O manejo é principalmente conservador, com suporte psicossocial e auxílio familiar.

Depressão Pós-Parto

A depressão pós-parto é um episódio depressivo maior que se inicia geralmente entre a terceira e quarta semana do puerpério, atingindo pico em seis meses. É importante diferenciar os sintomas da depressão pós-parto dos ajustes normais do pós-parto.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é frequentemente feito usando a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo. O tratamento envolve psicoterapia e, quando necessário, antidepressivos. É crucial considerar que todas as drogas antidepressivas são excretadas no leite materno, exigindo uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios.

Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo.
Fonte: https://www.scielo.br/j/rbp/a/PkHvnnVVy4X9SssRV3nPWWj/ 

Psicose Puerperal

A psicose puerperal é a forma mais grave de distúrbio psiquiátrico no pós-parto, com início precoce, geralmente dentro de três semanas após o parto. Manifesta-se com sintomas psicóticos, como delírios e alucinações, e requer intervenção imediata.

Tratamento

O tratamento é uma urgência médica, frequentemente necessitando de internação hospitalar. A terapêutica inclui antipsicóticos e, em alguns casos, eletroconvulsoterapia. A amamentação é contraindicada devido ao risco de infanticídio.

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Kiara Adelino
Kiara Adelino
Estudante do 2º semestre de Medicina. Adoro qualquer atividade que envolva mexer o corpo e aprender coisas novas.
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