Síndrome mão-pé-boca em adultos: relembre os pontos-chave das apresentações clínicas

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Em 90% dos casos, a doença ou síndrome mão-pé-boca (SMPB) afeta crianças, principalmente menores de 10 anos, sendo incomum em adultos devido a imunidade cruzada com outros enterovírus e a memória imunológica. 

Nos últimos anos, entretanto, houve um aumento dos casos nessa faixa etária, apresentando um quadro clínico atípico e dificultando o diagnóstico. Porém, antes de discutirmos a clínica nos adultos, é importante relembrar a clínica nas crianças para compreender bem as diferenças.

Síndrome mão-pé-boca

Quando suspeitamos de SMPB num adulto imunocompetente, devemos sempre pensar no envolvimento de uma estirpe mais virulenta. Sendo assim, nos adultos, é mais comum no sexo masculino e pode estar associada a alguns fatores de risco, como:=

  • residência em área rural ou outros locais de alta densidade populacional,
  • condições sanitárias precárias e
  • baixo rendimento familiar.

Além disso, assim como nas crianças, dermatite atópica tem sido apontada como um fator de risco.

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Fonte: DI PRINZIO, 2022
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Ademais, as complicações nos adultos são as mesmas das crianças: desidratação e possibilidade de infecção concomitante.

Diagnóstico Síndrome mão-pé-boca

Devido a semelhança com outras doenças dermatológicas, no adulto, faz se necessário o uso de exames laboratoriais para fechar o diagnóstico.

Além disso, sorologias IgM e IgG devem ser solicitadas entre os dias 0 e 15 para avaliar a soroconversão e não devemos esquecer de isolar e identificar o vírus. Culturas virais costumam ter baixa sensibilidade, sendo dispensáveis. 

Desse modo, a biópsia de pele não é útil para fechar diagnóstico de SMPB, mas pode ser útil para descartar alguns diagnósticos diferenciais.

Agente Etiológico

A Síndrome mão-pé-boca é causada pelo vírus Coxsackie.

Síndrome mão-pé-boca: Transmissão

De pessoa a pessoa, direta ou indiretamente. Sendo assim, há maior transmissibilidade na primeira semana após o início dos sintomas.

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Período de Incubação

Geralmente dura de 3 a 6 dias.

Clínica

Em alguns casos, podem ocorrer pródromos da doença, como febre baixa, sintomas respiratórios, dor abominal, diarreia e vômitos.

Dessa forma, nos adultos, as lesões da Síndrome mão-pé-boca se apresentam como bolhas e erupções cutâneas purpúricas, sendo mais graves e extensas que nas crianças, podendo acometer localizações atípicas, como tronco e couro cabeludo.

Na cavidade oral, as lesões variam de enantema bolhoso a úlceras, podendo haver confusão com outras doenças que acometem esta cavidade, como gengivoestomatite herpética aguda e estomatite aftose.

Quadro típico:

  • Febre.
  • Dor na garganta.
  • Recusa alimentar.
  • Lesões vesiculares em mucosa oral e língua, costumam ser ovaladas (”formato de grão de arroz”).
  • Erupções pápulo-vesicular em mãos e pés, incluindo palmas e plantas. *Podem não estar presentes em todos os casos.

Eventualmente, na evolução natural da doença, os pacientes podem apresentar mioclonia, tremores, ataxia e paralisia de nervos cranianos.

A principal complicação é a desidratação, que pode ocorrer devido a dificuldade de ingesta hídrica na presença de lesões em cavidade oral.

 Ademais, nos últimos anos, observou-se que a Síndrome mão-pé-boca pode ser fatal, principalmente se causada pelo Coxsackie EV 71, podendo acometer sistema circulatório, cardíaco e pulmonar.

Síndrome mão-pé-boca: relembre os pontos-chave das apresentações clínicas

Como sequela tardia, após 3 a 8 semanas, alguns pacientes podem apresentar onicomadese, que é o descolamento da unha a partir da base. Isso pode ocorrer tanto nas mãos quanto nos pés, entretanto, mecanismo que propicia esse acontecimento ainda não é totalmente conhecido.

Porém, alguns estudos mostram relação com a agressão da matriz ungueal na fase de viremia. Costuma apresentar melhora gradual espontânea e recuperação total em cerca de 2 meses. Por fim, em alguns pacientes, também pode ocorrer descamação de extremidades.

Tratamento

Assim como nas crianças, o tratamento é sintomático. O prognóstico é benigno e o quadro costuma regredir em até 10 dias. Por fim, agora que já revisamos a síndrome mão-pé-boca nas crianças e nos adultos, lembre-se de anotar as dicas!

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